A Fundação que Falta

Sombra de uma bandeira caída projectada numa parede de pedra pela luz dourada do entardecer, com grilhões abertos iluminados no chão.

Os conservadores portugueses dizem que querem defender a família.
Mas nunca aprenderam economia.

Dizem que querem proteger o futuro.
Mas não compreendem de onde vem a inflação.

Dizem que querem soberania nacional.
Mas não criticam o banco central europeu.

Dizem que querem liberdade.
Mas nunca estudaram a moeda.

Sem isto, o conservadorismo português não passa de moral sonante numa economia sequestrada. E moral sonante não paga a renda, não trava a inflação e não devolve futuro a ninguém.

Sim, os valores importam. Mas sem compreender o mecanismo que afunda o país, a direita continua a combater sombras enquanto a política monetária lhe corrói as fundações.

Portugal não afunda por falta de princípios; afunda porque ninguém na direita entende a estrutura que a esquerda domina há décadas: o controlo da moeda.

Enquanto não enfrentarem isto, os conservadores vão continuar a erguer a bandeira com orgulho, mas com grilhões nos pés.

Tudo o resto é conversa.